Literatura > Romance > FÁBRICAS MORTAS, de Caetano Lagrasta

"Os caminhos não eram sempre os mesmos, às
vezes, depois de alguns anos, a gente pegava a Conselheiro
Nébias, passando defronte ao Palácio da Polícia, e alguns sumiam e se desviavam pros lados da Caetano Pinto, na antiga
zona. Desculpe, doutor, mas falo dos puteiros que, lá pelos
anos 50, o governador mandou fechar, e seu inimigo político
disse que era pra ver se a mãe dele voltava pra casa. Foi nesse tempo que a mulherada se espalhou pela cidade, indo parar nas ruas Aurora e Timbiras, que logo ganharam a fama de “boca do lixo”, infestadas de hoteizinhos e botecos, tudo
cheio de malandros e cafetões. O mais gozado é que, mais tarde, ficaram cheias de gente de cinema que acabava nas farmácias ou consultórios, pra cuidar da gonorreia ou da sífilis, e um monte nos hospícios ou direto pro Araçá. Eu nunca
entendi muito bem como é que uma doença, daqui de baixo,
chega na cabeça, aqui em cima, e o sujeito pira. Por causa
disso, eu lembrava da doença da tia Marietta e esquecia do
que tava contando, mas hoje, não, porque o assunto é futebol."
 
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"O enterro foi num dia de muito sol e tive que pôr paletó, suando e fedendo, com um sapato apertado, de verniz,
dado não sei por quem, que quase não cheguei a usar. Não
queria que avisassem ninguém: a morte é coisa da gente, de
curtição, pra lembrar, e o morto nem vai saber se veio alguém
pro velório e carregar o caixão. Sempre achei tudo isso um
circo: cheio de risadas e sussurros e, na madrugadinha, na
hora pior, não sobra ninguém. Então, pra que convidar? Mas
minha mãe insistiu, e tive que aguentar o desfile de parentes,
vizinhos e amigos – alguns nem tanto – com aquelas caras que
imaginam “de dor”, sem lágrimas, fora os largos abraços e
estapeação de costas. Voltei ao cemitério algumas vezes, pensando que era um sortudo; sabia onde meu pai tinha ido parar e mesmo sem eu ter filhos acho que os de meu irmão um dia vão chegar lá e ficar orgulhosos de saber onde o vô, a vó e eu tamo enterrado."
 
FÁBRICAS MORTAS, de Caetano Lagrasta, Desconcertos Editora
 
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LANÇAMENTO!
 
Desconcertos Editora tem o orgulho de apresentar o primeiro romance do contista e poeta Caetano Lagrasta, FÁBRICAS MORTAS! Uma obra que cumpre aquele velho lema das grandes obras de que, ao falar de sua cidade, acaba falando e considerando toda a humanidade.
 
’Fábricas Mortas’ ao tratar das histórias e personagens de uma cidade de São Paulo, mais especificamente de um bairro da cidade de São Paulo, o Brás, acaba retratando e considerando todo um pedaço da história e dos momentos conflituosos de toda uma nação. Os personagens são rasgados pelos seus problemas e infernos pessoais ao mesmo tempo que atravessam um momento histórico quando o próprio país também se rasgava em repressões, indefinições, torturas e prepotências.
 
" [..] o pavor da gente, mesmo depois de montão de anos, era que os aviões voltassem pra bombardear os bairros operários, o Brás, a Mooca. Criança, mulher e velho tudo massacrado e espalhado na rua ou enterrado nos quintais. "
 
O lançamento será dia 10 de Novembro, das 13 as 16 hs, no carinhoso e aconchegante CAFE COLON, na Rua Alagoas, 555 Casa 2, em Higienópolis, São Paulo.
 
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PRÉ-VENDA!
 
O livro já pode ser reservado através da loja virtual da editora - www.desconcertos.com.br - ou pela página do perfil https://www.facebook.com/desconcertoseditora/?ref=br_rs. Os exemplares comprados até à data do lançamento começarão a ser entregues a partir do dia 10 de novembro, com a dedicatória do autor.

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